Analisando o primeiro episódio de Kuroko no Basket!

Eu sou uma sombra…

  Kuroko no Basket é um mangá de basquete (oh, really?) publicado na Shonen Jump desde 2008. Com 16 volumes encadernados a obra é a segunda da Jump a ganhar sua adaptação em anime nessa temporada. Ah, e não ouse comparar essa obra com Slam Dumk, a temática pode parecer igual, mas o desenvolvimento é quase o oposto.

  Antes da opening (e diz a regra que coisa antes da op. é importante) é dito sobre a “Geração dos Milagres”, um grupo de cinco estudantes/jogares de basquete da escola Teiko considerados prodígios e um boato de haver um sexto elemento reconhecido pelo grupo. Graças a elas a escola ganhou três vitórias consecutivas em campeonatos e o clube de basquete contava com mais de uma centena de membros. Aqui, antes de prosseguir, sinto que tenho de explicar uma coisa. Lá no Japão as escolas de ensino fundamental e médio são separadas, e deve-se inclusive prestar uma prova (conhecida como vestibulinho por alguns aqui) para ingressar em uma escola de ensino médio. Quando ouvi falar nessa “geração dos milagres” fiquei com a impressão de que era uma coisa de muito tempo atrás, mas não. A escola Teiko provavelmente é uma escola de ensino fundamente e, como término do mesmo, seus integrantes (e assim sendo a tal geração dos milagres também) se dissiparam por escolas de ensino médio. Acho que com isso em mente fica mais simples entender esse plot inicial (ou eu que sou burro demais, rere). E o mesmo vale para a transição ensino médio – universidade (como aqui no Brasil), e pode ser inclusive esse o contexto, MAAS, como eu nunca sei a idade de personagens de anime pela aparência decidi deixar tudo explicadinho (O Seiya tinha 13 anos, só pra lembrar).

  Agora sim, solta a Opening produção! Achei ela bem satisfatória. Musica animadinha, animação boa, apresentação dos personagens. Li gente reclamando por usarem computação gráfica na bola de basquete… Nunca tive problema com CG, e dessa vez não foi diferente. Sem contar que ela aparece bem pouco, quase nada, e no meio do anime está “normal”.No geral bem “padrão” para um Shonen, mas isso por si só não quer dizer que algo é ruim. Só uma “cena” me chamou a atenção:  Minha filha, que posição estranha para se fazer o “v” com as mãos, hein? De cara pensei “essa é a menininha kawai que gosta do protagonista FFFF”. Só que não (ainda bem).

  Começando o anime de fato, estamos no primeiro dia de aula da escola Seirin (nome feio hein). Assim membros de diversos clubes ficam espalhando cartazes para tentarem atrair novos membros. Algo parecido com o que os cursos de universidade fazem quando você sai do vestibular (principalmente as privadas). Comparação inútil: confere. Se você tem um pingo de lógica já sabe que veremos tudo de ponto de vista do clube de basquete. Tudo em meio às adoradas pétalas de cerejeira, claro. Nessa hora que um personagem fala “Mangás também são livros!” Prevejo otakinhos hardcore endeusando esse cara em 3, 2, 1…

  Fato é que a escola é nova (esse é seu segundo ano de funcionamento), assim sendo todos os clubes precisam com certa urgência de novos integrandes (e isso envolve desde clubes de esporte como d e literatura ou música). Nesse meio temos Koganei, até agora sem muita relevância, mas que chama a atenção por ter cara de “:3″. E o capitão do time: Hyuga. Virou moda todo primeiro episódio ter um Hyuga? (Brincadeira tá gente, é porque teve um Hyuga no 1º epi. Medaka Box também, rs).

  Kagami Taiga, estudante transferido da América. Um cara bem alto e de cara fechada que se inscreve no clube, sem nenhum motivo aparente. O menino “com a intensidade de um tigre” (palavras da menina da op.) tem jeito de que vai ser aquele a dar problema no trabalho em equipe, mas como até aqui a série se desvio de todos os clichês que eu imaginei, vamos esperar pra ver. Uma requisição quase passa despercebida na seleção, a de Kuroko Tesuya. Na ficha diz que ele era membro do clube de basquete da escola Teiko. Seria ele da Geração dos Milagres? E porque a menina kawai da abertura, que ficou ali o tempo todo, não percebeu quando ele pegou a ficha/preencheu/entregou? Só sei que ela fica muito put* por não ter visto a cara do possível prodígio.

Reúnem todos os novatos no ginásio para uma primeira avaliação. Comentam o quando a menina do “v”, a gerente, é bonita e etc. Só que ela não é a gerente, é a treinadora. É, tapa na minha cara.  E na dos figurantes também. O velho ali era presente era só o professor orientador do clube. Assim sendo aquele bando de homens ali está sob o “comando” da jovem Aida Riko. Como treinadora competente e que não mistura o pessoal com o profissional, a primeira ordem é:  *risos comedidos* Aqui no Brasil isso não é nada demais, em futebol de rua sempre tem “time com camisa” e “time sem camisa”. Achei engraçado que a reação de todos lá foi de muita surpresa (praticamente a mesma de quando eles descobriram que a menina era a treinadora). Isso me leva a crer que os japoneses, pelo menos em público, tem bastante pudor. Sendo pra eles algo incomum, deve ter algum motivo pra Aida ter deito tal pedido. Suruba? Não. Ela é filha de um treinador experiente e, por acompanhar o pai no trabalho desde pequena, se acostumou a avaliar a capacidade dos jogadores só de observar seu porte físico. Séries esportivas tendem a serem mais próximas da realidade do que um “Naruto” da vida, e se esse episódio tem uma parte que pode soar “viajada” é essa. Mas achei bem coerente até.

  Vendo um por um o último é Taiga. Ela fica abismada por ela ter o corpo perfeito (por favor não pensem besteira) para a prática do basquete. É até meio constrangedor o tempo que ela fica parada olhando ele abismada.   “E o tal Kuroko?” você pergunta. Seria ele um rebelde que decidiu faltar à primeira reunião? Ao ter seu nome chamado, ele aparece de súbito, assustando a todos. Assusta ainda mais quando diz que era titular do time da Teiko. Daí você como expectador pode pensar “Que sem noção o cara brotar assim do nada“, só que ele estava ali o tempo todo. Sério. Vejamos um print de antes mesmo da treinadora mandar todos se despirem (ui).  Olhem aquele cabelinho azul espetado. Tapa na cara da audiência. É claro que assistindo da primeira vez você nem nota ele ali, é quase um “Onde está o Wally?”. Pelo menos prova que não foi muito fantasiosa a aparição dele. Aida fica perplexa pelo menino de cabelo azul ter todos os números abaixo da média. O que não é condizente para um ex-titular da Teiko.

  A noite, Kuroko encontra Taiga sozinho e é desafiado para um “mano-a-mano”. Isso porque o aluno transferido diz que sente o cheiro de gente fraca e de gente forte, mas não consegue sentir o cheiro de Kuroko. Creio eu que seja mais que tudo uma metáfora. Ele também dá uma zoadinha, dizendo que o “nível” nos Estados Unidos era muito mais elevado e que só queria enfrentar gente forte.

  Nessa hora eu pensei “É agora que conhecemos a habilidade do protagonista”, afinal, ele é um protagonista da Jump, via de regra tem que ter algum “poder especial”. E aí fomos surpreendidos novamente. Kuroko perde feio. Tão feio que o oponente acha que ele não sentiu seu cheiro por ele ser tão fraco a ponto de não exalar a nada. Taiga conclui dizendo que ele não leva jeito para o basquete e que deveria desistir. Pausa dramática.  Pelo menos ESSE clichê eu imaginava, só não pensei que seria tão cedo. Em filmes de esporte sempre tem essa história de “Você perdeu os movimentos do dedinho, não poderá mais jogar tênis de mesa. Deveria desistir.” Sempre. Sorte que o calmo e pacato Kuroko não se deixa levar diz que ama o basquete, que discorda e que é diferente de Taiga. O protagonista encerra com “Eu sou uma sombra.” Podem ficar sem entender, falarei disso mais tarde. Já adianto que foi uma metáfora (e das boas).

  No outro dia, os veteranos decidem fazer um jogo rápido: eles contra os novatos, para avaliar a capacidade deles. E o time dos “senpais” não é pouca coisa , eles foram para as finais (não sei de que) logo no primeiro ano. Mesmo assim os novatos começam vencendo.   Quer dizer, Taiga começa vencendo, porque ele sozinho faz o trabalho do time todo. Só achei estranho que logo depois da primeira cesta, com pouquíssimo tempo de jogo eles já estavam me acabados. xD E como este cara consegue jogar de óculos? Eu uso óculos e é MUITO chato praticar qualquer esporte com eles. Ficam escorregando, sem contar que o risco de levar uma bolada na cara e ter eles quebrados ou se ferir com os cacos da lente é algo para se levar em conta também.

  Se tudo fosse tão fácil assim não teríamos uma série, logo, para complicar a situação os veteranos decidem investir pesado na marcação de Taiga impossibilitando-o de jogar e virando o placar. Ele fica muito nervoso pelo resto do time não conseguir tocar o jogo sem ele e quando está prestes a criar briga:  Surge Kuroko (na verdade ele já estava ali) com essa “joelhada por trás”. Quem já fez ou levou isso sabe como é desconsertante. Achei a cena muito engraçada, mesmo porque o menino parecia ser totalmente apático até então. Passado o momento rindo em posição fetal que percebi como aquilo dava margem pras fãs de yaoi pensarem besteirinha a respeito. E não tem o que falar/defender nesse primeiro momento. Quem quiser ver mais do que amizade ali vai assim fazer. Só acho estranho os/as fãs de yaoi ficarem vendo shonen procurando casais gays, mesmo porque muito provavelmente não foi a intenção do autor. Mas, pra quem curte fazer seus “casais”, aí um atrativo em Kuroko no Basket. Pra quem não curte fica tranquilo que esse não é o foco da coisa, foi só uma observação mesmo.  Só então a treinadora e árbitra percebe a presença de Kuroko no jogo e qual a sua especialidade: passes. Ele faz uso da sua “falta de presença”, isso é, da sua discrição, para completar os passes e ajudar o time a finalizar uma jogada. Por fazer tudo muito rápido ele não aparece muito, é um jogador de apoio (o que não tira sua importância). Tanto que assim com a atuação dele o placar gradualmente vai se igualando. Aida chega a conclusão que esse é o sexto membro da “Geração dos Milagres” e que não ficou muito conhecido justamente por essa característica de não se destacar muito nos jogos.

  Devo aqui ressaltar que as cenas do jogo foram ótimas. Animação muito boa, contrariando aqueles que temiam ver algo borrado, visto que o mangá tem muitos quadros de ação. A trilha sonora também ficou à altura, com músicas animadas, arriscado até em algo mais eletrônico e conseguindo inclusive dar um toque a mais àquele “último ponto decisivo” (tão característico de filmes de basquete).

  Terminada a partida Taiga vai a uma lanchonete comer sua pilha de lanches (sério, ele come bastante) e senta-se na mesma mesa que Kuroko… Só que sem querer, pra variar ele não o tinha visto ali. Surpreso fico eu ouvir ele dizer “Não gosto de gente fraca mas hoje você fez por merecer isso” e dando um hambúrger para o menino de cabelo azul.

  É, bem isso que eu achei mesmo, Tsundere feelings. Nessa hora meu inquieto e idiota cérebro pensou em uma coisa. Como os dois se parecem com as meninas de evangelion, né? Kuroko com esse cabelo azul e a personalidade calma demais (quase sem emoções) é quase uma Ayanami Rei e Taiga, vindo do exterior, cabelo levemente ruivo, talentoso, personalidade agressiva com um lado “meigo (o que chamam de “tsundere”)… Lembra bastante a Asuka. Se E.V.A e Kuroko no Basket fossem da Clamp certamente os quatro teriam alguma relação em algum mundo paralelo. NÃO levem esse parágrafo a sério, mas não podia deixar de comentar isso. xD Se o Shinji caísse nesse universo ele tava FUUU.

  Aqui temos o diálogo mais legal do episódio. Taiga diz que ficou curioso com essa tal Geração dos Milagres e pergunta como se sairia jogando contra eles. Kuroko não pensa duas vezes para responder que ele não teria chances e que cada um dos cinco (seis contando com ele) está jogando pela própria escola agora. Vocês perceberam como esse é um enredo promissor? Seis personagens fortes, cada um em um time diferente. Estou muito curioso para saber como o autor vai trabalhar isso.

  Taiga diz querer ser o melhor jogador do Japão e leva mais um balde de água fria de Kuroko, que afirma isso ser impossível… Impossível sozinho. O protagonista completa a metáfora da sombra (sombra porque ele não aparece muito, fica na parte de apoio) dizendo que ajudará Taiga no seu objetivo, que quanto maior a intensidade da luz maior a sombra e vice-versa. E temos aí a dupla que protagonizará a série. Apesar disso o título deixa bem claro que o principal é Kuroko, e achei legal a sua personalidade. Não é de temperamento explosivo e não tem uma habilidade “direta”, muito óbvia, como força física.

  Assim termina o primeiro episódio. Não sou muito fã de mangás/animes esportivos, mas esse me deixou com aquela vontade de saber o que vai acontecer no próximo episódio. O Character Design pode estranhar em um primeiro momento, eu mesmo achei o traço com mais cara de shoujo, mas nada que incomode. As sombras no pescoço me lembraram o sombreamento de Bleach lá na saga da Soul Society, com esses riscos, principalmente sobre  pescoço. E é impressão minha ou “Kuroko no Basket” já está praticamente traduzido? E eu passei um bom tempo falando/escrevendo o nome da série como “kokoro no basket” (risos). Não sei se foi cortesia do Fansub da onde baixo, mas aqui ao final do epi. aparece essa imagem:

  Fãs de yaoi vão yaoizar.

  Esse post foi ao estilo do post de Medaka, e nem ouso chamá-lo de um “primeiras impressões” por ser bem descompromissado. Não farei analise semanal por não ter tempo, mas ao fim da temporada volto para fazer um balanço geral do anime, ok? Já adianto que espero coisa boa daí!Aye!

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8 thoughts on “Analisando o primeiro episódio de Kuroko no Basket!

  1. Viu! Mangás de esporte são bons! AUHSAUHSAUAS (Trate de ler Baby Steps) E juro que pensei em quase todas as piadas que você colocou nas imagens, e a melhor: ELA QUER MEU CORPO NU!

  2. Pingback: Primeiras Impressões Gerais da temporada de Animes do Verão/2012 « Xtreme Divider

  3. Curti muito essa publicação, kuroko no basket é um dos animes que mais me atraiu, suas piadas foram todas notadas e a que mais me fez rir foi “eu estava aqui o tempo todo e só você não viu”, mas a imagem com a frase “Socorro Tem Yaoi Aqui” me levou a pensar que você tem algum tipo de preconceito, mas deixando isso pra lá, a comparação com evangelion foi demais e para falar a verdade tem algum sentido nisso. Todos os detalhes da postagem esta realmente bom e foi muito divertido ler isso :)

    • A wild comentário appears!
      Ah, quanto ao preconceito, relaxa, foi só uma piada mesmo. Apesar de eu não curtir o gênero não tenho nada contra quem lê, e foi mais pra satirizar os shipping exagerados que as fãs veem em Kuroko.
      Obrigado por comentar num post tão antigo, haha.

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