Análise – Fairy Tail Volume 15

Arco da “Batalha da Fairy Tail” chega ao seu clímax e Ediotora JBC chama mais a atenção (negativamente) do que o enredo em si.

  Queridos leitores, esse post será divido em duas partes. Uma primeira onde analisarei os acontecimentos e a história propriamente dita e a segunda onde serão expostos os quesitos técnicos. A partir de agora terão SPOILERS, mas, se você se incomodar com os mesmos, por favor pule para a parte “Fim dos Spoilers” e indigne-se com os erros grotescos que temos nessa edição nacional.

  O volume começa com um capítulo um tanto quanto enrolado, que de relevante mesmo teve apenas um pequeno flashback do Laxus, “justificando” o sue ódio pela guilda.

  Na sequência surge Mystogan! Praticamente um personagem novo, já que nunca o vimos em ação. Luta vai, luta vem, Laxus sugere que conhece algo a respeito dos segredos de seu openente, surgem Natsu e Elza e eis que o rosto de Mystogan é revelado e… WTF? Ele tem exatamente a mesma fuça do Jellal (também conhecido como homem-bomba de Fairy Tail). Todos ficam chocados (quem não ficaria?) e então ele vai embora… Simples assim. Seu “segredo” parece ser mais importante que a situação atual da guilda, mas antes de sair ele deixa no ar que não é Jellal… Tenho hipóteses sobre isso, vamos esperar que esse gancho seja bem aproveitado pelo Hero Hiro Mashima.

  Então voltamos aos outros membros da guilda, espalhados pela cidade, todos devidamente detonados. Elza teve a ideia de destruir todos os cristais lacrimas e acaba recebendo ajuda do resto da guilda (graças a um personagem que muito convenientemente usa telepatia e faz com que todos se comuniquem, mesmo a distância, e bolem o plano). Ok, ameaça devidamente destruída, com página dupla e tudo, e os magos caem ao chão graças ás conexões orgânicas mágicas que os faziam levar o mesmo dano que causaram… Mas, gente, a Elza destruiu cerca de 200 delas, sendo que só com UMA a Juvia e uma outra random ficaram fora de combate! Todos os outros membros (Gray, Lucy) também aparecem desmaiados, mas essa solução encontrada pelo autor ficou tão desconexa ao meu ver. Se era assim porque todos não destruíram as bolotas explosivas logo no início? Ponto negativo pro enredo, mas nada absurdo, mais implicância minha mesmo.

  Natsu então fica com o caminho livre e acaba levando a pior. Quando está para ser finalizado, surge Gajeel e o salva. Sim, o mesmo Gajeel que no volume anterior falava com alguém desconhecido sobre uma possível traição.

  Para cumprir a cota “momento inesperado que pode mudar o rumo da coisa” surge Levy falando pro Laxus que Makarov não passa bem, e está prestes a morrer. Por um instante pensei que fosse acabar aí, mas Laxus, como bom vilão, não ta nem aí pro fato e continua a luta.

  Nesse momento realmente me senti lendo um shonen de porradaria. Laxus versos Natsu + Gajeel. Que luta! E quando eu achava que a magia do neto do Mestre da Fairy Tail era algo como “magia pikachu” ele revela ser… Um matador de dragões! Sim, a mesma magia do Natsu e do Gajeel, só que com o elemento trovão. Não que tenha sido uma grande surpresa, porque o nome do capitulo em questão e do capítulo anterior já deixavam a entender qual a verdadeira natureza do poder elétrico. Vale dizer que achei o Laxus muito bombado sem camisa, parecia algum herói da Marvel, mas nos extras o próprio autor admite que não sabe desenhar homens magros, então, paciência.

  Chegando ao fim, o vilão declara que vai usar seu golpe supremo, Fairy Law, o julgamento das fadas, que elimina todos que ele vê como ameaças. Dito e feito não acontece nada com ninguém, e nisso surge Freed explicando que a magia revela o coração das pessoas e blablabla que o Laxus não via a todos como inimigos de verdade. Com o emocional abalado, o mago de cabelo rosa parte pra porrada novamente e vence (finalmente) o vilão principal da saga. Nesse volume tiveram MUITOS closes na cara do Natsu em expressões raivosas, e é com uma bela página, com ele gritando, que “acaba” o volume.

  Acaba, entre aspas, porque ainda temos uma história extra, mostrando um pouco do passado da guilda. Enquanto se está lendo o volume da pra perceber que faltam certas páginas, só não esperava que seria um bônus, o que deixou o enredo principal mais curto. Achei isso bem dispensável, mas ver no final o que sai do ovo misterioso e alguns personagens enquanto eram pequenos (principalmente a Mira) foi divertido.

FIM DOS SPOILERS

  Agora, vamos ao que me decepcionou profundamente: a tradução desse volume. Erros grotescos foram marca de Fairy Tail desde a sua primeira edição, mas a editora JBC avacalhou com o volume 15.  Vamos às imagens:

  Sério isso JBC? “Cala a boca já morreu” era uma expressão brega até no meu Jardim de Infância, e não creio que as crianças de hoje em dia (se o proposito é fazer uma linguagem direcionada ao publico infantil) usem esses termos.

  CUSTAVA escrever “Vamos lá” separado? A questão é que essa “adaptação” ridícula descaracteriza completamente a obra. Juro que nunca pensei em parar de comprar nenhuma série que acompanho… Até ler esse volume.

  Eu esperava que com o tempo as coisas melhorariam, e até passaram-se algumas edições sem pérolas como essas, mas depois de mais de um ano de publicação a editora me surge com essa palhaçada? O leitor não é idiota a ponto de não entender um “você” ou um “estou” e ter que tê-los abreviados para “cê” e “tô”. Linguagem coloquial é muito usada VERBALMENTE, e não creio que no original japonês personagens cheios de pompa (como a Elza) se deem ao luxo de falarem de forma errônea.

  Abaixo e aos lados mais algumas imagens, com exemplos dos “cê” e “tô” e onde notei erros de concordância e falta de vírgula antes do “mas”. Coisa pequena? Pode ser, mas é algo pelo qual estou pagando, então tenho o direito de exigir que o mínimo da gramática seja respeitado.

 

  Ah, como se não bastasse temos o Happy falando “Aye!” (sua marca registrada) e na página seguinte falando “É!”, que é como o termo vem sendo traduzido desde o volume 1. Padronização, a gente NÃO vê por aqui.

  Me recuso a terminar esse post com o “Aye” de sempre em luto ao tratamento que Fairy Tal está recebendo.

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12 pensamentos sobre “Análise – Fairy Tail Volume 15

  1. Pingback: Analisando Bleach, episódio 361 « Xtreme Divider

  2. O pessoal tem q lotar o facebook do Marcelo del Greco para criticar e dar feedback negativo a respeito de FT, ou usar a aba “Fale Conosco” do site da JBC pra fazer a mesma coisa.
    Se isso não acontecer, nada mudará.

    Eu uso constantemente a aba “Fale conosco” do site pra fazer criticas construtivas, mas nunca recebi resposta dela… tenho a impressão q eles nem leem o q é postado lá. Uma andorinha só não faz verão…

    • Então, você está certíssimo.
      Eu estava pra mandar o link dessa postagem pra JBC, mas sinto que eles não leriam de qualquer forma. E eu não tenho o facebook do Marcelo del Greco, vou dar uma pesquisada, mas se encontrar vou dar um jeito de enviar o link.
      Queria que todos pensassem como você, dessa forma com certeza o mercado de mangás no Brasil não seria tão acomodado.

  3. Eu comentei no seu comentário no Chuva de Nanquim, mas acho melhor colocar o comentário aqui: Eu faço uma pesquisa na faculdade sobre tradução de mangá, e na realidade não achei essas adaptações de linguagem coloquial de FT ruins. Acontece que no japonês o nível linguístico é MUITO marcado, e na tradução a técnica para mostrar uma linguagem menos formal e polida é a “transcrição” da linguagem oral. Nesse sentido acho q a JBC faz um bom trabalho de não usar norma culta nas falas do Natsu por exemplo, que realmente é desbocado e usar linguagem coloquial (nunca prestei mt atenção na fala das demais personagens). Concordo sobre o horror do Happy, além de tirarem o Aye por mt tempo agora fica na inscostância?? num dá, tem q decidir. E acredite, crianças ainda usam “cala a boca já morreu” tenho um sobrinho de 8 anos e ele fala isso.

    • obrigado pela sua opinião, teve bastante coisa a se pensar aí.
      O que mais me incomoda não é o coloquial, é fazer isso sem respeitar a gramatica. O “vamola” não poderia ser um “vamos lá”? Ainda assim continuaria coloquial só que sem ferir nenhuma norma escrita. Outro medo meu é descaracterizarem a obra com essas coisas… no caso do “cala a boca já morreu”, eu tenho quase certeza que não é o que foi dito (xD) e que poderia ser substituído por algo de mesmo significado e mesmo assim coloquial.
      Quanto aos “cê” e “tô” já estou me acostumando, são marcas coloquiais sem um correspondente escrito que não as tornem formais. E realmente não sabia que as crianças ainda diziam o cala a boca já morreu. hushuhaushuhaushuhas

      • É como o Daisuke disse. O texto de um manga não é apenas um texto, é fala de uma pessoa como qualquer outra.
        Se o personagem em questão fala errado, então deve existir erros propositais.
        Um “vamolá” não é a mesma coisa de um “vamos lá”, especialmente se a personagem é uma adolescente que passou algum tempo presa em um cativeiro.

        Quanto às gírias e ditados populares, sou suspeito de falar. Sou fã delas e da cultura brasileira em geral. E gosto que tradutores tenham liberdade para adaptações, mas claro, nunca descaracterizando a obra nem os personagens.

      • Scott, não tem como responder seu comentário diretamente, então vou digitar aqui mesmo XD
        Se o personagem fala errado normalmente, as aspas estão aí para isso. Discordo porque um mangá não é uma obra audio-visual onde o coloquial passa batido.
        Sobre o “vamolá”… Qual o problema em usar “vamos lá” ali? E eu não sabia que a Mira tinha ficado em cativeiro, acompanho a edição nacional e nada foi dito sobre isso a respeito, então como leitor não tenho a obrigação de saber esse contexto. E mesmo que soubesse, não é porque alguem fica recluso que passa a falar errado… Esse caso em específico foi o que eu mais abominei no mangá :s
        Quanto às gírias e ditados, acho alguns interessantes, nada exacerbado da minha parte, mas sou contra o uso delas em material originalmente japonês onde é certeza que nada parecido foi usado. Se tem algo para com qual sou patriota é a Língua Portuguesa, então entendo seu ponto de visto, mas não consigo aceitar isso com fluidez.
        Muito obrigado pelo comentário! É sempre bom ver opiniões distintas e construtivas por aqui! ^^

      • mira em cativeiro???????

        quem ficou em cativeiro foi a Elza!

        A Mira sempre teve família, só que ela tinha um estilo mais Metal, e abandonou esse estilo depois do acontecido com sua irmã mais nova.

        E quanto ao Cala Boca já morreu, cara quando eu era criança essa “piada” já era considerada coisa de retardado ¬¬.

        Quanto aos cês da vida acho que isso é Regionalismo, e não é correto adicionar regionalismos á uma obra estrangeira, se fosse uma Obra de um autor de São paulo tudo bem ele poderia colocar a gíria que fosse, mas quando se adapta uma obra estrangeira, por mais que se coloque em uma linguagem coloquial, o regionalismo continua inaceitável para uma obra de publicação nacional. Pode parecer besteira mas se colocassem um personagem falando “ô xente mainha” ou “eita que trem bão” ou até mesmo “Trilegal” todo mundo se revoltaria, mas como é Gíria Paulista muita gente releva.

        As empresas precisam ter visão de mercado nacional e pararem de achar que devido ao fato de mangás serem geralmente voltados á um público mais jovem eles não merecem um tratamento profissional.

      • Ah, era da Elza que estavam falando, confundi tudo HUSHUAHUSHUHA.
        E compartilho dessa mesma opinião, sem tirar nem por, principalmente sobre o “cala a boca já morreu” ser ultrapassado faz um tempinho xD
        O Brasil é muito extenso, daí na dúvida se uma gíria ou termo não é conhecido em todas as regiões, por que não optar pelo mais “correto” gramaticalmente que, teoricamente, deveria abranger a todos? Bem que as empresas podiam pensar assim, não é? xD
        Obrigado por ler e comentar!

  4. Pingback: O que esperar de One Piece volume 1, da editora Panini « Xtreme Divider

  5. marco quem errou não foi você, pois na página do mangá mostra realmente a Mira, quem errou foi o Scott na hora de defender o argumento.

    Conheci seu blog hoje e gostei muito da analise sensata sobre o volume do mangá, espero que mantenha esse padrão e que tenha muito sucesso

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