O que esperar de One Piece volume 1, da editora Panini

Antes tarde do que mais tarde nunca. Com vocês a resenha da edição nacional do mangá de maior sucesso comercial no Japão.

  Dezembro de 2011. A editora Panini anuncia um pacote de grandes títulos para o próximo ano e dentre eles está o tão aguardado retorno de One Piece. Mangá esse que já havia sido publicado anteriormente pela Conrad, mas cancelado no volume 70 (referente ao vol. 35 japonês). A comemoração e a espera foram grandes, e agora a “nova” edição já está nas bancas para podermos apreciar o renascer dessa relevante obra

O texto contem leve spoilers do volume 1, nada demais, leia por conta e risco.

Sobre a História:

  Fato é que não sou fã da obra, apenas tenho uma grande simpatia por ela. Talvez isso faça com que eu tenha um olhar mais “imparcial” sobre o produto, então, aos fãs mais fervorosos, não me julguem ok? ;P

  O primeiro capítulo tem todo um clima de flashback, mostrando o protagonista Luffy enquanto criança. Não diria que aí é onde se explica o porque de ele querer tanto ser um pirata, já que desde as primeiras, antes de mais nada ser desenvolvido, o pequeno já berrava aos sete mares “eu vou ser o maior pirata do mundo!”. E é nessa parte que coisas importantes na construção do garoto são apresentadas: sua cicatriz em um dos olhos, o tão amado chapéu de palha e a figura de um “professor”. Por ser meio grande o começo da história mais parece um one shot, e funciona muito bem tanto como história fechada (pela cena impactante que temos ao final do cap.) como premissa para o nascimento de uma grande franquia. Todos sabemos qual rumo One Piece seguiu, não é? ;P

  Ainda nesse capítulo temos uma página dupla que me fez notar uma coisa: o traço do Oda é bom. Bom? É excelente! O que você quis dizer com isso? Na época que comecei a ler OP na internet o traço era realmente algo que me incomodava, achava-o caricato demais e muito poluído visualmente, mas, mas… Ou eu mudei drasticamente de opinião ou os scans eram muito ruins, porque tendo o produto em mãos achei tudo muito limpo e os exageros nas expressões adquiriram seu contorno cômico (nada que me faça cair da cadeira rindo descontroladamente em posição fetal, mas consegue transmitir um bom humor).

  A partir daí temos um mini-arco (não sei nem se posso chama-lo assim, já que termina nesse volume mesmo) onde somos apresentados a Coby. Sinceramente, não esperava que ele fosse sumir de cena tão rápido, o que me fez achar, em um primeiro momento, que toda a apresentação dele tinha sido dispensável… Mas eu já li o suficiente para saber que o Oda gosta de trazer, mais pra frente, uns personagens que nem o fã nº 1 lembrava da existência. E a premissa para o possível retorno de Coby é excelente, fico ansioso para saber quando e onde isso vai acontecer. Uma curiosidade: o cabelo dele é rosa (para quem viu o anime é obvio, mas para gente como eu, que se ateve apenas ao mangá, é algo relativamente surpreendente xD).

  Também somos apresentados ao primeiro membro do mando: Zoro, o espadachim badass. Ele foi o que entrou para a turma com o “arco” mais curto, e particularmente é um dos meus preferidos. Porém, por ser curto, sindo que falta algo na construção do personagem… Claro que não li o suficiente para saber o que acontece mais a frente (li só até o vol. 17 na internet), mas o básico para a motivação dele está ali. Até o momento o mais raso, ao meu ver, é o protagonista (novamente: não li a série toda, então pode ser, aliás, é muito provável, que isso seja desenvolvido mais adiante). Então, se o Luffy é raso, como você explica o fato de ele se sustentar como personagem principal da trama? Creio que pelo carisma, é isso é ponto alto de OP, mas já toco nesse assunto.

  Temos alguns “vilões” nesse volume, dois pra ser mais específico, sobre os quais não falarei muito, apenas que marcam uma característica fundamental da obra: a excentricidade dos desenhos do autor. Sério, é raro ver algum mangá com pessoas tão bizarras como a Alvida logo no início. E já nos 45 do segundo tempo aparece Nami… uma ladra. O caráter dessa personagem, até então, não é dos melhores, mas tudo será explicado com maiores detalhes mais adiante na trama, então vou me abster de maiores comentários sobre ela por hora.

  Não acho que o volume 1 de One Piece seja excepcional ou justifique o porque da franquia ter se tornado recordista de vendas no Japão. É um volume 1 bom, mas não excepcional. Ouso dizer que está no mesmo nível de primeiros volumes de outras séries da Jump. Ao meu ver o sucesso de OP está no desenvolvimento do mesmo e com as doses de ação e comédia do mesmo (uma comédia escrachada, mas ainda assim, comédia xD).

  Uma coisa inegável : a obra tem carisma. O enorme número de fãs, o carinho com que que falam da obra (em alguns casos chegando a soar como algo obsessivo), e o elevadíssimo número das vendas (em especial na terra do sol nascente) estão aí para comprovar isso. E, mesmo que você não idolatre a série (meu caso), não tem como não passar a nutrir certa simpatia pela mesma após alguns poucos volumes.

Aspectos Técnicos:

  Eis a parte que deixou todos contando os dias para ter o mangá em mãos. Como a Panini iria lidar com tamanha pressão exercida pelo nome da franquia? De acordo com a entrevista com a editora da versão brasileira (que você pode conferir no Gyabbo! clicando aqui) toda a produção foi feita com muito esmero e visando fazer o melhor possível. E não decepcionaram.

  A obra está no padrão da editora, com freetalk do autor na contra-capa e uma tradução fluída. Confesso que estranhei o termo “caça-piradas” em vez de “caçador de piratas”, mas já me adiantaram que desde a Conrad era assim e que  o lugar em que eu lia que escrevia “errado” (leia-se, diferente). Também vemos o Luffy criança falando “tô”, e se alguém leu a Análise de Fairy Tail 15 sabe como isso me incomoda, mas é algo pessoal mesmo. Já me disseram que isso é coloquialismo e, bem, hoje em dia não tem “certo” e “errado” na língua portuguesa (principalmente se tratando em adaptar o falado para o escrito) mas ainda sou arcaico a ponto de preferir o “estou”. O lado bom é que essa característica se ateve ao pequeno Luffy e com a passagem de de tempo as coisas se “normalizam”. Fez mais sentido (que criança nuca falou errado?) e atenuou bastante a minha aversão pelo “tô”.

  Os golpes foram mantidos no original e explicados no glossário que, pasmem, tem uma página só. Muitos acham que o que pode ser adaptado deveria ser adaptado, mas eu prefiro assim. Imaginem as zampakutous de Bleach com seus nomes em português. Não acho que seria uma boa xD Ah, e o original japonês também não tem páginas coloridas, essas foram publicadas em cores apenas quando saíram semanalmente pela Shonen Jump.

  Tive um pequeno problema com a minha edição: algumas páginas se soltaram. Como vi todo mundo elogiando na in ternet creio que tenha sido um desses erros ” de fábrica” que aferam um em um milhão. Me recomendaram entrar em contato com a editora, mas tenho preguiça demais para isso. Se fosse a JBC você já estaria metendo o pau e mimimi Provavelmente, meu volume 10 de Death Note com um capítulo inteiro caindo que o diga, mas não acho que seja o caso discutir esse assunto nesse post

  Verdade seja dita, nem tudo são flores. Em algumas páginas (por coincidência próximas as que caíram) os balões do canto tiveram suas falas cortadas e espaço entre as páginas e o centro do mangá ficou deveras distante, com um grande espaço branco. Coisa que estranhei bastante pois na página dupla não teve nenhum problema parecido. Novamente aposto no meu azar, mas fica aí o registro.

Clique para ampliar.

  Mantiveram os extras entre um capítulo e outro! Sei que é normal as editoras fazerem isso aqui no Brasil, mas não sei por que, temia que esquecessem disso. Sabe, é muito legal aprender a desenhar uma bandeira pirata xD

  A lombada (do vol. 1)ficou boa, bem colorida e não muito simples. Apenas tenho curiosidade de saber como ficaram muitos volumes juntos e se não ficarão chamativos demais. Vamos torcer para que prevaleça o bom gosto da editora (mesmo que eu tenha achado a lombada do vol. 36 feia xD).

  Por último, a capa. Muitos reclamaram pela falta do mapa original, mas já foi esclarecido que o licenciador da obra não autorizou o uso do mesmo e também negou o uso de outro mapa (do East Blue, parte da obra) apresentado pela Panini (sim, eles tentaram). Eu gostei do amarelo, na internet fica meio feio, mas ao vivo fica bem legal, chamativo, além de criar um padrão para as capas.

  One Piece está sendo publicado mensalmente desde o volume 1 e bimestralmente desde o volume 36 (de onde a Conrad parou). Uma ótima pedida para quem não conhece a franquia e mais do que obrigatório para os fãs de longa data.

  PS: Não resisti e tirei uma foto dos volumes na banca, quase morri de vergonha mas ta aí (xD) Eu que sou relativamente novo na franquia fiquei feliz, imagine os fãs que aguardam por isso há tempos? Espero que tenham gostado do post. Fiquem com a imagem e, caso optem por comprar OP, boa leitura!

Aye!

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6 pensamentos sobre “O que esperar de One Piece volume 1, da editora Panini

  1. Que sorte sua por ter mangás atuais sendo vendidos em bancas, aqui em fortaleza eu tenho que ir em uma loja longe pra caramba pra comprar os mangás que eu quero

  2. acho o começo de ONE PICE muito fraco, para mim começa a ficar bom a partir do arco do SANJI, não sou fã da obra, o manga pra mim e bom nada de mais

  3. Concordo com o Wesley: One Piece demora um pouco pra engrenar, mas depois que entra nos trilhos é fantástico.
    No aguardo da chegada do volume 36 em Minas Gerais.

  4. Pingback: Divider List [05] – Os 10 melhores lançamentos de mangás no Brasil em 2012 [Final] | Xtreme Divider

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