Análise: Hungry Joker !

Monstros, ciência e um vírus apocalíptico em um dos one-shots recentes mais  badalado da Jump.

  Hungry Joker é uma história fechada de 46 páginas de autoria de Yuuki Tabata. O mangá foi publicado na Shonen Jump (em Agosto de 2011) como participante da Golden Future Cup (concurso anual de one-shots da Shonen Jump) e foi escolhido como o grande vencedor dessa edição.

  A história começa com uma pequena introdução (ainda bem, introdução longa é capeta) onde ficamos sabendo que tudo se passa no ano 21xx e que as células dos organismos estão absorvendo um tipo de vírus desconhecido, e este as faz evoluírem espontaneamente e atacarem os humanos. Esse é o chamado “O-Vírus” (T-Vírus de resident evil mandou lembranças). As criaturas modificadas são conhecidas como “overtypes”.

  Então somos apresentados ao protagonista. Um jovem cientista que, despreocupadamente, analisa algumas substâncias no meio da selva. Para atrapalhar seus estudos surge um monstro e, por mais que o mangá tenha clichês, não vemos o jovem derrotar o “overtype” logo de primeira (que foi o que achei que aconteceria, tratando-se de um shonen). Ele tem uma máscara (dessas que os japas usam quando estão com algum problema respiratório) que se torna uma espécie de boca quando colocada. Bom, fato é que o personagem é engolido e temos uma mudança de cena.

  Em uma cidade (que mais parece um prédio gigante) os habitantes se reúnem na praça central para ouvirem o aviso de um de seus governantes (quero dizer, pelo terno e pela ladainha imagino que seja político). Ele diz que o departamento de ciências do governo criou os “White Joker” que tem poder suficiente para derrotarem os monstros. O problema é que a cidade se encontra em uma ilha e seus moradores estão isolados, uma vez que o mar está repleto de “overtypes”.

  Nesse cenário não muito positivo moram duas irmãs. Alice (a mais velha) e Mona (a pirralha). Uma senhora diz que, segundo boatos, foi avistado algo aprecido com um dragão próximo a costa. Nesse momento fica evidente a relação das duas, com a mais velha se sentindo na obrigação de proteger a pequena e completando com um “assistam, mãe e pai”. Ok, elas são órfãs e os pais provavelmente tiveram uma morte trágica. O tal dragão aparece, e é o mesmo que vimos na floresta. Quando parece que vai atacar ele cai morto e de dentro dele sai, ileso, o cientista. Foi uma maneira legal de fazer os personagens se encontrarem e pode vir a justificar como o protagonista foi para na ilha (apesar de não ficar claro se ele já estava ali ou não).

  Ele dá continuidade às suas pesquisas ali mesmo, na rua, tomando sangue do “animal” e tudo. Digno de um cientista maluco. Existem alguns números flutuantes sobre ele, e achei que era coisa do mangá (uma espécie de legenda), não pensei que estivesse ali mesmo para os outros personagens verem. Com tudo isso é natural que a população fique agitada e comece a fazer um monte de perguntas. Nessa hora o protagonista pega sua máscara e berra um “Meu nome é Haijaru Darwin, calem a boca, obrigado”. (Não exatamente com essas palavras).

  No meio disso tudo o jovem desmaia. Ele passa o mangá todo jorrando sangue pela boca, e, para quem está lendo, o motivo disso ainda é desconhecido. Só achei meio vergonhoso termos o clichê de “personagem masculino caindo de cara nos peitos da garota por motivo aleatório”. E não bastasse uma temos isso DUAS vezes! Pessoas com menor idade podem achar isso engraçado por nunca terem visto, mas é um recurso de “humor” deveras batido.

  Alice treina um pouco com suas duas pistolas, faz graça pra irmã e as duas voltam pra cara, onde está Haiji (como também é chamado o cientista). Elas ficam surpresas ao verem que o jovem já acordou e instalaram seu “laboratório” por lá mesmo. Essa, creio eu, foi o traço de personalidade do personagem mais marcante ao longo da história.

  O noticiário informa que a cidade vizinha foi devastada por um “overtype”. Temos mais um momento das irmãs, quase-briga entre Alice e Haijaru e quando esse se cansa bota a máscara e grita um “me deixem em paz!”. Ele explica que o objeto é invenção dele, e é denominado “Sakebe Mask”, tendo como única função (segundo Haiji) faze-lo falar mais alto. Tapa na cara de quem achou que fosse uma arma ou algo do tipo (leia-se, eu).

  Ele fala que seu segredo é trabalhar duro (uma mensagem positiva, típico de protagonista da Jump) e desmaia mais uma vez. Como não consegue se mover é levado ao médico que constata que o menino está infectado pelo “O-Vírus”. E é um tipo especial que, em vez de matar logo, entra nas células e promove mutações até que o corpo perca todos seus movimentos. Nessa parte ficamos sabendo que toda a pesquisa era pra desenvolver uma cura e que o contador (nomeado “Life Counter”, super original) é o tempo que lhe resta de vida. Darwin tomava sangue de “overtype” para estender esse tempo, cada dose rendia mais 24 horas.

  Só que dessa vez ele não está animado a prosseguir com isso e entrega os pontos. Enquanto isso o tal monstro que destruiu outra cidade chega ao local e começa a atacar. Alice entra em cena e mostra que não tão inútil quando parece. Ve-se um pouquinho de ecchi aqui e acolá, mas nada escancarado ou ofensivo.

  Deitado na cama, Haiji abre a camiseta (as otaka pira) e pede que, antes de fugir, Mona aperte um dispositivo que tem em seu peito. Começa assim uma contagem regressiva de 9 segundos. Nesse meio tempo uma garra/boca surge do chão captura a pequena. Senti que o autor tem um grande potencial para momentos dramáticos quando li isso, porque a intercalação entre a contagem, os olhares e a menina sendo comida (ui) ficou ótima. 

  Quando o contador chega a zero é anunciado que o “Desire Limit” foi quebrado. É explicado que quando as células começam a ser invadidas o limite se quebra e assim o vírus é movido para fora, aumentando os sentidos de Haiji. Essa forma é decorrente do uso da ciência para transformar o vírus em algo positivo.

  Aí sim é hora do pau! Já adianto que porradaria não é o forte de Hungry Joker, visto que esses momentos são muito curtos. Com Mona devidamente salva, Darwin com sua dose de sangue tomada e seu contador resetado para 14 horas e a segunda “queda nos peitos” temos o fim da história.

  Alguns pontos ficam em aberto. Haiji é um “White Joker” oficial, do governo, ou é resultado de suas próprias experiências? Ele foi parar ali por mera coincidência? Ele mora em algum lugar fixo ou é um andarilho? Creio que o autor deixou tudo isso no ar de propósito já pensando em uma série semanal. Mesmo assim as questões não interferem em H.J. como história fechada, que, mesmo cumprindo seu papel de deixar o leitor curioso por mais, apresenta o que tem que apresentar em 46 páginas.

  Como o vencedor da GFC geralmente vira série, não duvido nada de ver Hungry Joker como próxima estreia da Jump. Acho inclusive que esse one-shot não precisaria de muitas (quase nenhuma para dizer a verdade) alterações para ser um ótimo primeiro capítulo de um mangá mensal. Fico na torcida para que a direção da Jump dê logo um pé na bunda de ST&Rs (mangá que há tempos ocupa a ultima posição nos rankings de popularidade) e de uma chance par ao cientista de cabelo azul.

    O traço da obra é muito belo. Nada inovador, mas consegue fugir do padrão genérico que vemos aos montes por aí. Não se exatamente o porquê, mas Hungry Joker me cativou e é leitura mais do que recomendada. Não sei se algum sacanlator nacional traduziu, mas eu li no MangaFox (em inglês). Se quiser conferir só clicar aqui. Inclusive, tive certa dificuldade para achar o mangá na internet quando procurei, no ano passado, assim que soube da sua existência. Gostaria de agradecer ao Kuroi que me passou o link do mesmo pelo twitter, se não acho que teria deixado o título cair no limbo da minha memória.Ah, pra quem não notou o “overtype” que aparece ao final é o mesmo que se vê na primeira página (todo mundo deve ter notado, mas como demorei pra perceber, fica aí a “curiosidade”).

Aye!

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9 pensamentos sobre “Análise: Hungry Joker !

    • Eu li gente reclamando disso também, mas eu gostei dos quadros de luta. Eles não são tão obvios, daí acaba ficando um tempinho a mais pra ler/interpretar a cena. Acho isso um ponto positivo no geral xD

  1. E não é que eu gostei?? Achei bem legal e com um protagonista bem cativante! Sei que muitos irão discodrdar, mas achei meio parecido com Claymore, só que mais cômico! Sei lá, o estilo monstruoso dos Overtypes me lembraram os Kakuseishas, o mesmo vale para a forma “despertada” do protagonista(Haijaru Darwin né?), alem de ser meio sangrento e com umas decepações doidas! =P
    E Marco, ta de brincadeira que não gostou da luta né? Foi a parte que mais gostei! De qualquer forma, gostei muito, espero que estreie na Weekly Shonen Jump! =D

  2. Pingback: Rodada de cancelamentos na Jump « Xtreme Divider

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