Comentando o 1º episódio de Jojo’s Bizarre Adventure

Keep calm and strike a pose.

  Muitos saudosistas comentam com os olhinhos brilhando sobre os “áureos tempos da Shonen Jump”, por volta do final do século passado. Jojo’s Bizarre Adventure com certeza faz parte do hall de mangás que marcou gerações, sendo que ele ainda continua em publicação e vendendo muito bem, obrigado. Para quem não sabe, a obra é dividida em partes (o que facilita bastante a leitura), sendo que atualmente está sendo publicada a oitava. Apesar de todo o sucesso e carisma, só agora, em 2012, Jojo ganhou um anime semanal. Esse, por sua vez, tratará sobre a primeira parte do mangá, adaptando Jojo enquanto na sua tenra idade.

  A trama é ambientada na Inglaterra, 1868. Durante uma viagem com sua família, a carruagem do nobre Joestar cai em um desfiladeiro, causando a morte de sua mulher e do cocheiro. Ao ver a cena, Dario Brando, um velho pinguço e oportunista logo pensa em roubar os bens de valor e dar o fora dali. Enquanto procurava por algo que lhe rendesse dinheiro, acaba encontrando uma máscara não muito amigável, e a deixa de lado. O que ele não esperava é que Joestar estivesse vivo, e seu filho, ainda um bebê, também. Assim o nome, ao recobrar a consciência, pensa que Dario foi seu salvador e assume então uma dívida com aquele homem.

  Doze anos se passaram (sim, o protagonista tem apenas 12 anos xD), e o bebê, Jonathan Joestar, agora é um jovem e serelepe moçoilo, cuja principal ambição e se tornar um legítimo cavalheiro. Do outro lado do ringue da moeda o velho Dario teve um filho, Dio. Vivendo em extrema pobreza o jovem adquire um caráter mesquinho e ambicioso. Quando seu pai está prestes a morrer, ele lhe entrega o endereço de Joestar, falando para que Dio vá ao seu encontro para cobrar a dívida do nobre com a família Brando.

  E então que começa a sacanagi história em si. Pensem em um personagem detestável ao extremo. Pensou? Agora some a isso a aura “bitch, please” daquelas vilãs de novela mexicana com a atuação da Carminha (sim, estou citando novelas). Pronto, temos Dio Brando. Ao chegar na residência de Joestar ele é aceito como um filho e passa a morar na mansão. Qualquer ser humano comum já ficaria muito feliz com isso, mas Dio quer mais.

  Seu plano é pressionar Jojo psicologicamente ao extremo, para que no futuro apenas ele herde toda a fortuna da família. Pode até soar como um plano batido, mas, acreditem, o loirinho é a encarnação do capeta em forma de guri. Tudo começa que, ao chegar na mansão, ele já desce a bicuda no cachorro de estimação de Jojo. cara, bater em cachorro é vacilo. Claro que o jovem é audacioso o bastante para inventar uma desculpa que convença o patriarca e ainda assim bancar o bom moço no final das contas.

  A perseguição continua com Dio sendo melhor que Jojo em todos os afazeres de casa, seja nas tarefas ou até mesmo com os modos à mesa. Tendo dois pontos de vista, o pai de Jojo começa a compará-los e, consequentemente, a ser mais rígido com o filho, julgando que esse havia sido muito mimado durante todo esse tempo.

  Transformar a vida em casa um inferno: confere.

  Mas ok, tudo bem, quem nunca teve problema com os pais? Jojo ainda tem o mundo inteiro lá fora para se distrair. Uma de suas diversões é praticar boxe no campo (?) com os amigos. Ele é o “campeão” do local, o maioral, até que, um certo dia, alguém chega para desafiá-lo. Adivinhem quem é? Sim, ele mesmo, Dio Brando. O loirinho dá uma surra no “irmão”, com direito a filha-da-putagem de enfiar dedo no olho e tudo, desmoralizando-o perante todos. Não bastasse isso ele ainda espalha o boato de que Jojo e dedo-duro, e todos passam a vê-lo com alguém em que não se pode confiar, evitando o garoto.

  Roubar os amigos e espalhar fofocas: confere.

  Nessa altura do campeonato Jojo já deveria estar trancado no quarto com um potão de sorvete ouvindo Adele loucamente, mas ele não faz isso. Tudo porque uma bela jovem atravessa seu caminho. Erina, a quem ele havia salvado anteriormente, aparece para agradece-lo com uma cesta de uvas (own) e também para devolver o lenço do menino. A partir daí eles começam a ficarem mais próximos até entrarem naquele estado de paixonite infantil. 

  Teve até cena no rio e tudo (com uns trajes pra lá de ousados, diga-se de passagem). Tudo muito lindo, muito maravilhoso, muito lagoa azul, até nosso protagonista cometer um erro fatal: escrever seu nome e o de Erina em uma árvore, envoltos por um coração. Além de ser brega bagarai isso denuncia a Dio o motivo de Jojo não estar chateado como deveria. Com posse dessa informação, a loirinha se prepara para atacar novamente.

  Junto com seus “amigos”, Dio encurrala Erina e tasca-lhe um beijo na boca. Eles têm cerca de doze anos, então não é muito difícil prever que o primeiro beijo da menina foi com aquele desconhecido.

  Abusar da namoradinha: confere.

  Pelo menos a jovem demonstra caráter ao limpar sua boca em uma poça de água suja(!). Pode parecer uma coisa besta, mas, poxa, é tão difícil ver as meninas de shounens tendo alguma atitude que eu achei essa forma de “protesto” dela muito legal. Ainda mais no século XIX, onde o sobrenome das mulheres era “submissão”. Dio, delicado como uma potranca no cio, fica ofendido com a atitude da menina e desce um tapa na cara dela. Cara, bater em mulher é vacilo.

  Bater na namoradinha: confere.

  Como Jojo não tem sangue de barata, ele finalmente reage ao saber do que houve com sua amada. Aleluia! Até esse ponto eu estava achando o episódio BEM mais ou menos. O enredo estava desagradável, quase um “jogos mortais” psicológico com o protagonista e nada acontecendo com o FDP do Dio. Mas é aí que o bicho pega.

  Jojo está com saginuzói (aka sangue nos olhos) e parte pra cima de Dio. O momento pré-briga entre os dois é curtíssimo, mas conseguiu deixar muito claro que o clímax estava por vir. Jojo entrando na mansão todo puto da cara e Dio se levantando da cadeira, olhando meio de lado, enquanto berrava com sua soberba característica “Não acha que está gritando meu nome em vão?” foram orgásticos. Claro que os dubladores contribuíram muito para a cena, executando um trabalho excepcional.

  Quando Jonathan finalmente acerta o primeiro golpe em Dio berrei alto um “TOMA FILHA DA PUTA” e só então percebi como todas aquelas “torturas” haviam me prendido ao anime. Eu estava totalmente imerso naquele mundo, ansioso para ver quando Dia iria começar a se dar mal. Dar essa sensação ao espectador logo no primeiro capítulo não é uma coisa fácil. Nem preciso dizer que o anime ganhou vários pontos comigo a partir de então, não é?

  Durante o confronto, a tal máscara estranha é praticamente lavada com o sangue que esguicha de Dio. Ao ser tocada pelo líquido vermelho ela ganha uma espécie de “garras” e salta da parede. Em meio a confusão toda isso passa despercebido. Quando o patriarca vê o que está acontecendo, manda os jovens para seus respectivos quartos e fim de briga.

  No outro dia, quando o empregado vai incinerar o lixo, ele percebe um movimento incomum na fornalha (aliás, qualquer movimento vindo de uma fornalha é incomum, rs). Só então ele se dá conta de que havia um ser vivo no meio do lixo que já estava queimando. Seria um humano? Nada disso, era o Danny, cachorro de Jojo, que morre queimado vivo…

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  CARA, MATAR O CACHORRO É MUITO VACILO.

  DIO BRAAAAANDO, SEU FETO DE QUENGA, ESPERO QUE VOCÊ SINTA ESSE MESMO CALOR QUANDO FOR ARDER NAS PROFUNDEZAS DO INFERNO SEU, SEU , SEU boboca.

  Já odeio o Dio, mas acho isso um aspecto positivo. Vilão bom é vilão ruim (rs). E hoje em dia é difícil achar algum vilão de anime sem escrúpulos, são tudo um bando de frouxos metido a psicopatas… Bom, o episódio acaba aí, sendo que pela prévia já sabemos que no próximos teremos outra passagem de tempo, com os personagens mais velhos (não, passou o tempo e eles vão ficar mais novos, herp). 

  Quanto a parte técnica, devo dizer que ela ficou ruim, porém boa. Calma, eu explico. A animação em si é péssima, inclusive parece ser em flash em alguns momentos. Só que a direção do anime conseguiu disfarçar isso tão bem que acabou ganhando fazendo o problema ser relevado por muitos, apenas adicionando alguns “charmes” que remetem a animes mais antigos.

  Onomatopeias saltando da tela (que me fizeram sentir como se o mangá estivesse realmente ganhando vida), a adição de fundos “abstratos” para ilustrar momentos de reflexão dos personagens e o jogo de luzes com cores não muito comuns (como o azul-esverdeado logo na primeira cena) deram um toque especial e único ao anime. Parece um remake dos animes da década de 80-90 que conseguiu ser fiel ao seu estilo original e ao mesmo tempo se adaptar aos visuais mais modernos, mesmo não utilizando os recursos mais atuais em termos da animação propriamente dita.

  Segundo fontes confiáveis, a coisa só melhora a partir daí, com direito a Dio Brando se consolidando como um dos piores-melhores vilões da história. Achei um bom primeiro episódio e fiquei doido para ler o mangá. Ainda não o fiz por falta de tempo mesmo, mas para quem quiser recomendo que baixem do Jojo’s Bizarre Aliance (de lá que eu roubei o GIF abaixo, rs). Nesse site tem as três primeiras partes completas em português e numa qualidade decente, além do primeiro episódio do anime (caso você ainda não o tenha visto). Agradecimentos ao @Nintakun do twittter por ter me passado o link.

  E você, está esperando o que para começar a acompanhar a bizarra aventura de Jojo?

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5 pensamentos sobre “Comentando o 1º episódio de Jojo’s Bizarre Adventure

  1. Cara, melhor review do episódio que eu li!! Tava esperando muito por JoJo, li o mangá há 2 semanas atrás e desde então to com um hype muito alto. Pessoalmente, não gosto do JoJo(personagem) nesse início, acho ele um bundão, chato pra krl. E o Dio é um dos melhores vilões que eu já vi, sério, o cara é muito mal, cruel mesmo, e não tem frescurinha, como a maioria dos vilões tem hoje em dia. Não achei a animação muito ruim não, já que lembrou bastante da arte do mangá. E espero que adaptem a segunda fase também

  2. Foda a abordagem. Adorei a maneira como você resumiu o episódio. Concordo com absolutamente tudo. Também achei que a animação é muito pouco fluida, mas a direção de arte é fantástica. parte se resume ao fato do próprio autor do mangá não definir cores oficiais para os personagens, o que deu essa liberdade à equipe de produção do anime.
    Aliás, o Danny morrendo no mangá é infinitamente mais tenso que no anime, porque ele consegue escapar em chamas do incinerador, mas as patas dele estavam presas para não conseguir fugir.
    Gostei muito mesmo da análise do primeiro episódio. Continue assim! Vou dar uma fuçada no resto do brogue agora.

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