Review: O mundo complicado e perfeitinho de Medaka Box

Peitos, diálogos filosóficos e um pouco de ação para não perder o costume.

  Pois é pequenos padawans, aqui a gente demora bastante, mas cumprimos o que falamos. Lá em abril, quando o anime de Medaka Box estreou, “analisamos” o primeiro episódio (relembre AQUI) e naquela ocasião eu tinha prometido uma resenha mais profunda do anime quando ele acabasse. O bendito acabou, já estreou a continuação, o tempo passou, e enfim estamos aqui para falar sobre essa obra que abalou nossos corações, ou não. Só pra reforçar, falarei apenas do anime, ok?

  O enredo básico eu já havia comentado no post de primeiras impressões: Kurakami Medaka é eleita a nova presidente do Conselho Estudantil e sua primeira medida é instaurar a caixa de sugestões, na qual qualquer aluno pode depositar seus pedidos que eles serão prontamente sanados pelo conselho. E é a partir daí que a história começa a se desenvolver.

  O início é aquele típico da maioria dos shonens: os personagens principais vão realizando “missões” pequenas e agregando novos companheiros até terem o time principal formado. Medaka possui cinco faixas em seu braço, cada uma delas referente a um cargo no Conselho, sendo uma a da presidente (a protagonista) e as outras com funções que, enquanto ela não acha ninguém de confiança para ocupar, são realizadas por ela mesma. O primeiro a integrar essa nave louca a equipe é Zenkichi, amigo de infância de Medaka e praticamente um segundo personagem principal.

  As primeiras missões são bem bobinhas, mas têm seu mérito por não caírem na armadilha de acabarem se tornando óbvias. Apesar de o clima como um todo não ser lá dos mais animados, eu confesso que me diverti bastante com o começo do anime. Claro, você não verá socos, shurikens, gomu gomu no nem getsugas voando por toda a parte. É sim algo arrastado, mas os desfechos dos casos fazem com que você fique ansioso para saber o que irá ocorrer no próximo e assim acaba se prendendo à história.

  Nesse meio tempo são apresentados os personagens secundários e desenvolvidos os protagonistas. Dentre todos eles a minha preferida, sem sombra de dúvidas, é a pequena Shiranui, o capeta em forma de guria. A princípio ela parece só mais uma daquelas menininhas fofinhas kawai-desu que vão infectar o anime com o moe, mas não! Ela é um adorável trollzinho. A menina sabe tudo sobre os estudantes do colégio e repassa as informações para Zenkichi (que por algum motivo bizarro é seu amigo). Isso por si só já é suspeito, afinal, como uma estudante do Ensindo Médio que mal parece ser graduada no jardim de infância possui tantas informações à sua disposição? Ela também tem a mania de comer mais que o goku (sério, em toda cena ela está com algo na boca favor não pensar merda) e possui uma risada no mínimo… Perturbadora.

  O porquê de Medaka ser perfeita em tudo que faz não é explicado, mas são dadas algumas dicas e fica bem claro que o assunto será abordado mais para frente (seja na próxima temporada ou no mangá mesmo, o qual eu não li). No começo essa perfeição toda me incomodou, e muito, porém ela é mostrada de uma forma tão divertida que não consegui implicar mais com o assunto. Minha maior crítica é que, devido a essa característica, quem acaba por ficar ofuscada é a própria Medaka. Não consegui gostar da personagem em si, apenas esperar que ela fizesse algo legal em casa episódio. Se for levar em conta o carisma, Zenkichi e companhia levam vantagem.

  Queria que o lado psicológico da protagonista fosse mais bem trabalhado, torcia para que ela tivesse algum defeito, alguma falha de caráter em meio àquele oceano de habilidades e virtudes, mas não é o que acontece. Claro, não podemos esquecer que são pouco mais de 10 episódios sobre um mangá relativamente longo que ainda está em andamento, isso é, as chances de o assunto ser tratado (ou de até já ter sido) na obra original são enormes, mas analisando apenas o anime achei que ficou devendo.

  Foi tudo muito, muito casual, muito monótono, muito Lanna Del Rey até chegarem nas competições aquáticas. Não que a partir daí o anime tenha uma virada fantástica e mude completamente a abordagem, mas é só então que vemos o primeiro “arco”,  isso é, o primeiro pedido que leva mais de um episódio para ser resolvido. Nessa ponto que eu finalmente tive vontade de ver o que iria acontecer a seguir e ficava ansioso toda semana pelo episódio seguinte. 

  As provas são muito bem boladas e exploram exatamente aquilo que o autor quer mostrar dos seus personagens (incluindo fanservice), o que é bom,  já que evita uma tonelada de diálogos expositivos para justificar uma ou outra habilidade. A partir daí a coisa só melhora, culminando com a mini-saga do Comitê Disciplinar e o embate entre Medaka e Unzen.

  A luta dos dois, sem sombra de dúvidas, é o ponto alto da série. Ela é muito mais ideológica do que física, então esperem por muitos diálogos e nem tantos socos. É chover no molhado dizer que gostar ou não desse confronto vai de cada um, mas eu tenho de admitir que adorei as questões levantadas sobre, afinal de contas, qual dos dois ali era o verdadeiro monstro. O último episódio é um filler bem sem graça e completamente passável, mesmo que tenha representado muito bem estilo que o anime constrói nesses pouco mais de 10 episódios.

  Minha cena preferida é o encontro de Medaka, Shiranui e Onigase. As três possuem ideias completamente divergentes e, apesar de deixarem bem claro que odeiam uma a outra, fazem um tremendo esforço para manterem a simpatia. Depois, vê-las cooperando entre si, mesmo que por um momento rápido, é no mínimo interessante. Creio que Nisio Isin ( o roteirista do mangá que deu origem ao anime) foi o homem que chegou mais próximo de entender as mulheres ao descrever os pensamentos de cada uma das personagens durante essa inesperada reunião.

  A continuação, Medaka Box: Abnormal, está sendo transmitida e dá prosseguimento a uma questão muito interessante que, apesar de não ser evidenciada na primeira temporada, estava lá o tempo todo e só você não viu. É um gancho que eu não esperava e está fazendo o enredo finalmente possuir algumas lutas propriamente ditas, claro, sem perder todos os charmosos e característicos e extensos diálogos.

  Medaka Box possui uma ideia ótima, um pouco de non-sense e um desenvolvimento que certamente não agradará a todos por seu começo lento. Porém, aqueles que se predisporem a acompanhar as altas confusões aventuras de Kurokami Medaka e não se importarem com um battle shounen em que o “battle” é sacrificado em prol de algumas linhas de diálogos que se arriscam a serem filosóficas (se elas são ou não, cabe a cada um interpretar), podem encontrar um resultado satisfatório e de quebra algo bem fora do convencional.

  Para quem quiser ver outros pontos de vistas, mais focados no mangá, recomendo ESSE post (do Calibre Cultural), ESSE e também ESSE (ambos do Portallos). E, para encerrar, fiquem com uma imagem zoadinha, rs.

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Um pensamento sobre “Review: O mundo complicado e perfeitinho de Medaka Box

  1. Medaka box, gostei muito do manga e não parei pra ver o anime ainda(mesmo baixando os episodios toda semana) mais pelo visto o inicio foi meio lento. Devo assitir o anime so quando o kumagawa misogi aparecer que é um vilão bem interessante, citado no incio do manga, que aparece mais pra frente.

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