Analisando Made in Heaven: Kazemichi, da NewPop

made in heaven kazemichiTambém conhecido como “Quando a profundidade emocional não dá certo”.

  Como vai você que não aguenta mais ouvir falar sobre o fim do mundo que não aconteceu e sabe que vai ter um tio bêbado reciclando todas as piadas existentes sobre o assunto na ceia de natal? Quem me conhece sabe que eu sou chegado a reclamar da NewPop, então imaginem como foi grande a minha surpresa ao ver alguns mangás da editora dando as caras nas bancas daqui. Resolvi dar uma chance  para os títulos que tinham uma sinopse legal e agora venho aqui falar sobre um deles.

  Made in Heaven: Kazemichi é um mangá um tanto quanto… Desconhecido. Até no nosso amado google é difícil achar muitas informações sobre o bendito, tanto que o coitado não tem página nem na wikipedia (olha o nível) o que me fez apelar pro site da editora. Com roteiro de Sakurai Ami e a arte de Yashiki Yukari, a obra me parecia ser bem simpática, já que apesar da capa exalando clichê de romance bobinho o resumo oficial parecia bem promissor. Vamos dar uma olhada?

  O que é ser humano? Após sofrer um acidente, Reiji acaba recebendo vários implantes por todo corpo, a tal ponto de ser considerado mais robô que homem. Por ser um procedimento ainda ilegal e em fase de testes, ele é obrigado a viver uma nova e curta vida, já que seus implantes funcionarão por apenas algum tempo, sob o nome falso de Kazemichi Himejima. Mas uma coisa ainda o mantém ligado a este mundo, o amor por Juri.

made_in_heaven_kazemichi_v1_p0004Nada como copiar e colar o release oficial para não ter que ficar explicando o básico do roteiro, rs. Lendo o trecho acima, parece se tratar de uma obra filosófica, profunda e até mesmo com tons obscuros, não? Ao que tudo indica essa era a intenção, mas como já dizia o velho ditado, de boa intenção o anime friends tá cheio.

Resumindo: é uma merda.

Sempre tenho um pé atrás com mangás de apenas um volume porque, apesar de ser ótimo por eu não precisar me preocupar em acompanhá-lo (leia-se, gastar dinheiro), é muito difícil fechar uma boa história no limite de 200 páginas. Apesar de o enredo ter um final que fecha a maioria dos problemas apresentados toda a execução do mangá é um tanto quanto… falha.

Vamos começar falando do protagonista. Digamos que ele é mais eficiente que maracujina pra faze você pegar no sono. O cara é muito chato. Ok que ele teve o corpo todo “reformado” e naturalmente passaria por uma crise de identidade, mas a situação é levada muito a sério e força um drama que não convence. Aliás, “drama que não convence” resume 90% de Made in Heaven. “Sou descolado demais da sociedade”, “me sinto sozinho em uma cidade cheia”, “ninguém me entende” são todos clichês que você com certeza já viu em algum lugar e não comovem nem aquela sua tia encalhada que chorou vendo Crepúsculo.made_in_heaven_kazemichi_v1_p0083

Logo quando Reiji sai da mesa de cirurgia e começa a reparar em seus novos órgãos a atenção que a roteirista dedicou para comentar sobre o ~dito cujo~ do jovem me deixou preocupado com os rumos que o mangá ia tomar. Em suma o rapaz ganhou um pênis artificial através do qual ele não sente nada (trágico), mas ainda consegue controlá-lo mecanicamente (!) com comandos diretos do cérebro (!!), fazendo com que ele ainda possa ter filhos. Ufa, ainda bem, né? Já que ele não pode sentir nada pelo menos vamos deixar o coitado ter o prazer de ser pai no auge da adolescência.  Em uma página explicativa a autora foi capaz de criar uma das maiores torturas para os homens, medonho demais.made_in_heaven_kazemichi_v1_p0083 (1)

A partir daí o foco sexual da coisa piora bastante. Nada explícito, mas apenas o uma ameba não perceberia do que se trata. São páginas e páginas gastas com insinuações se sexo oral completamente desnecessárias para o desenvolvimento da trama e/ou dos personagens. Caralh*, é um volume só, não era pra ficar perdendo tempo com essas coisas. E esses momentos são tão aleatórios que fica muito na cara o fato de eles estarem ali apenas pelo fanservice.

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A protagonista, Juri, faz a linha Rei Ayanami de mulher séria  de mulher séria e comprometida que tem mais o que fazer do que se preocupar com a opinião dos outros. O problema é que ela fica lá fazendo cara e pose de quem não se importa com nada até que, pimba, lá está ela alterando o status do facebook para “em um relacionamento sério com Kazemichi”. Claro que, muito conveniente, o carinha acha super atraente uma mulher fria que mal se comunica.

O que me irrita profundamente é essa falta de lógica que ilude principalmente o publico feminino que lê essas coisas. Minha filha, se você tem a cara fechada e não se comunica com ninguém, nunca que o “namorado perfeito” vai cair na sua frente e te chamar pra transar. É essa a mensagem que o mangá queria passar? Alguém deve estar pensando que eu estou exagerando, mas é só ir em um evento de anime qualquer para ver como essas coisas influenciam e acabam servindo de exemplo pros otakinhos.12

As partes relativamente decentes da história são explicadas muito rapidamente, como é o caso da mãe do rapaz. Uma mulher pacata e submissa (ou seja, a protagonista de Kimi ni Todoke depois dos 20) que ignorou os filhos para se dedicar ao homem amado, um canalha que tem outras tantas amantes por aí. O porquê de o hospital ter custeado a operação do jovem e como ele tem que pagar essa dívida também foram elementos legais que impulsionaram o mínimo de progressão do enredo.made_in_heaven_kazemichi_v1_p0026 (1)

Fora isso tem muita coisa que dá a impressão de ter sido jogada por mero acaso ou capricho da autora. “Hm, isso parece legal, então encaixa aí”. O amigo gay que ama o protagonista desde sempre, o surto de Kazemich botando fogo no hotel, a forma como ele suborna um dos médicos (é, isso mesmo que você safadinho deve estar pensando), e a questão do snowboard… foi tudo muito jogado e desconexo. A parte do esporte, em especial, aparece tão de súbito que eu fiquei meio confuso pensando “Uai, desde quaneo ele pratica snowboard? Será que eu pulei alguma página?”made_in_heaven_kazemichi_v1_p0057

O único momento que eu realmente gostei foi, ironicamente, uma fala dizendo “Isso parece clichê de romance”. E o mangá não nada além disso, um romance bobinho que força ao máximo para tentar ser dramático e ainda sofre como válvula de escape para o desejo sexual reprimido da autora. Tinha tudo para ser bom, mas foi uma merda (e eu poderia ter resumido todo o post apenas com essa última frase). Uma imagem que define bem a obra é essa que aparecer por mero acaso no google imagens enquanto eu pesquisava imagens (ÓH, SÉRIO?) para ilustrar o post:

Made in Heaven: o mangá que é uma bomba

Made in Heaven: o mangá que é uma bomba

Não achei muitas informações sobre o mangá, mas sei que ele conta com outro volume que relata a história do ponto de vista da Juri. Ao que tudo indica o gênero do bendito é um josei (mangás voltados para o público feminino adulto), o que me preocupa muito porque eu não imagino uma mulher adulta levando Made in Heaven a sério. A história fecha certinho ao final, deixando em aberto apenas o passado da tal Juri (que muito provavelmente é explicitado no volume dela), mas não me comoveu em momento algum.

Made in Heaven  O trabalho da NewPop foi o padrão da editora, que eu considero bom. Gosto bastante das folhas branquinhas, mas a capa fosca me incomoda um pouco. E não sei porque colocaram aquela faixa branca em cima. Deixassem o fundo todo azul. O mangá em si foi tão broxante que eu nem me importei em caçar erros para comentar aqui 😦

Made in Heaven: Kazemichi é igual a político: promete muito e apresenta poucos resultados. Com um drama forçado, romance água com açúcar e apelo desnecessário para o fanservice é uma obra que eu não recomendo em hipótese alguma e ainda acho bom vocês alertarem os coleguinhas para passar longe.

Agora… Quem é o gerente de conteúdo da NewPop? De 5 mangás que eu li da editora, 4 foram uma merda total. Tem que escolher umas coisinhas melhor, hein (e de preferência publicar depois de anunciar).

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Um pensamento sobre “Analisando Made in Heaven: Kazemichi, da NewPop

  1. Eu cometi o erro de comprar esse mangá, mas a versão da Juri.E me decepcionou muito.Cara, no meio do nada da tipo um FlashBack nela e ela lembra da primeira vez dela (?) E não dá pra entender NADA.fica muitoc onfuso no meio do nada!!!Agora não sei oq faço. EU ODEIO MANGÁS COM CENAS DE HENTAI, E O PRIMEIRO MANGÁ QUE EU COMPRO TEM ISSO!OQ EU FAÇO GASTEI R$ 10,00 PRA VER ESSE LIXO

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