The Lost Canvas Gaiden nº5 e o melhor “conto” até agora

saint seiya the lost canvas gaiden 5  Um dos melhores volumes em toda a franquia dos Cavaleiros do Zodíaco.

   Os Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya The Lost Canvas Gaiden (ufa) é um mangá que se dedica a narrar um pouco mais sobre os 12 cavaleiros de ouro que atuaram na guerra santa ocorrida 200 e tantos anos antes da história de Seiya e companhia. Sendo assim, cada volume conta o passado de um cavaleiros, o que faz deles completamente independentes um do outro. Assim a pessoa pode comprar apenas aquele do seu signo e/ou ler o volume que encontrar na banca, sem se perder na história.

el cid espada

  O quinto volume dedica-se a mostrar a história de El Cid de Capricórnio, um dos signos que, ao meu ver, foram mal utilizados pelo “mestre” (rs) Kurumada na série clássica. Aliás, já que falei nele, preciso deixar claro que acho totalmente dispensável colocar o nome do dito cujo na capa, afinal só der a diferença na narrativa fica bem claro que a Shiori Teshirogi não faz apenas os desenhos.

  Na análise de Made in Heaven eu cheguei a comentar sobre o meu temor com “volumes únicos”, já que eles dispões de poucas páginas para contar uma história com início, meio e fim. Em Lost Canvas Gaiden o temor permanecia, apesar de ser amenizado com o fato de que, teoricamente, o leitor já possui um conhecimento prévio acerca da obra, o que não faria a autora perder muito tempo com a introdução.

  Desde o primeiro volume ficou claro que Shiori sabe muito bem contar uma história no limite de 200 páginas. É preciso do tal conhecimento prévio? Sim, mas nada muito complexo. Saber que os 12 cavaleiros de ouro estão a serviço de Athena e o conceito geral de “cavaleiros” é mais do que o suficiente para compreender a linha principal da narrativa. Claro que quem leu Lost Canvas vai pegar uma ou outra coisinha a mais, mas nada que interfira na leitura dos “leigos”.cid

  Logo no começo do volume 5 somos apresentados ao jovem Lacaille, filho de um forjador de espadas que não herdou o mesmo talento do pai. Os dois estão com muito trabalho, já que uma cidade próxima que surgiu misteriosamente, Catalânia, passou a realizar uma espécie de torneio que promete fama e riqueza ao vencedor.

  Ao ir na cidade para lavar uma espada enferrujada, Lacaille encontra o obstinado El Cid. Depois das devidas confusões causadas, El Cid revela que irá participar do torneio, então segue para Catalânia acompanhado de Lacaille. A cidade possui uma ambientação que faz com que seja impossível não lembrar de Roma. Os vendedores, as esculturas e até mesmo o Coliseu ao centro remetem à cidade lendária.

  Como essa cidade vive praticamente de sonhos e ambições eu não estranharia caso ela mesma fosse uma miragem.

  E aqui vem entra uma coisa que eu gostei bastante. O termo “Catalânia” não me soou estranho desde a primeira vez que o li no mangá, mas também não sabia da onde era.  Depois de recorrer às minhas fontes (isso é, meu pai, rs), descobri o porquê do termo me causar estranhamento. Essa Catalânia provavelmente é uma referência à “Catalonia”, região da Espanha na qual se encontra Barcelona.

  “Mas você não havia dito que a cidade se parece com Roma, então o que raios tem a Espanha a ver com isso tudo?” Bom, ao meu ver o termo foi usado para “brincar” com a nacionalidade de El Cid. Shura, o cavaleiro de capricórnio da saga clássica, era espanhol, e quem lê o nome “El Cid” logo pensa que ele também é. Porém tal informação nunca foi confirmada, sendo apenas especulação. Daí a autora vai lá e me coloca esse “Catalânia”… Coincidência? Pode até ser, mas pra mim me soou mais como uma confirmação do país de nascença do El Cid.

Ilustração feita pela autora na ocasião do lançamento do volume 5 no Japão.

Ilustração feita pela autora na ocasião do lançamento do volume 5 no Japão.

  A partir daí temos um torneio com aquilo que um battle shonen tem (ou deveria ter) de melhor: lutas. Não vou falar muito para não estragar a surpresa, mas elas estão realmente muito boas. Às vezes acho o traço da Shiori meio confuso, mas nada que não seja compreendido em um segundo olhar mais atento. A partir daí a história apresenta uma surpresa que revela um pouco do passado de El Cid e também faz referência ao mangá original de Lost Canvas. E volto a repetir, mesmo não tendo lido a série anterior dá pra entender o que se passa, mas quem leu vai conseguir ver mais além.

  Um ponto que me interessou imensamente foi a relação do público do coliseu com os “gladiadores” e a filosofia por trás disso. Segundo a obra, as pessoas da plateia são seres sem sonhos que, por não terem um objetivo na vida, se alimentam dos desejos e ambições daqueles que possuem coragem para arriscar a vida em busca de um objetivo (os “gladiadores”). Fazendo isso o povo mantém o tempo e a cabeça ocupados.

  Essa é a síntese da política do “pão e circo”, usada em Roma a fim de fazer com que a população não se interessasse e/ou esquecesse dos escândalos políticos. Eu não vou nem dizer o quão isso se aplica aos dias atuais,  já que a mídia insiste em tirar o foco de coisas relevantes, como o recente julgamento dos envolvidos no mensalão, para nos sobrecarregar com novelas e reality shows e… Ops, já disse. Ou vocês acham que o povo em geral sabia mais sobre os políticos julgados do que sobre o final de Avenida Brasil? Oi oi oi!?

  E, para mim, colocar isso tudo em um mangá é algo lindo demais. Por mais simples que seja ainda foi adicionada toda uma “poeticidade” em torno do tema, que, interligada com a história de El Cid, acaba por se tornar a veia principal do confronto final do cavaleiro com o “vilão” (que eu não vou falar quem é, claro).

El cid

  Por tudo isso que eu recomendo fortemente a leitura desse volume 5 de Lost Canvas Gaiden. Ele pode não ser tão filosófico quanto eu fiz parecer, mas é uma leitura agradável que faz um bom uso de embasamento histórico sem se esquecer do que faz um mangá para garotos ser popular (os confrontos). Ah, se lembrar do Lacaille? Então, ele poderia ter ficado como um personagem secundário esquecido, mas teve seu final (ou seria começo?) bem encerrado com o término do volume. Lembram sobre a história de “início, meio e fim”? Então, eis um bom exemplo de como se fazer isso.

  O volume 5 de Lost Canvas Gaiden foi o último a ser publicado também no Japão, o que faz o título entrar em hiato aqui no Brasil até que o encadernado 6 saia na terra do sol nascente, fato esse que foi muito bem esclarecido pelo gerente de conteúdo da editora na última página do mangá. Pode soar estranho para quem for comprar a coleção completa no futuro, mas acho importante manter os leitores informados sobre a periodicidade da obra e os motivos que a farão os próximos volumes demorarem a sair nas bancas.

  Falando na JBC… O trabalho deles está muito bom, obrigado. Com ilustrações nas capas internas e uma adaptação e tradução bem-feitos, não tenho muito a acrescentar sobre o trabalho da editora. Minha única reclamação e sobre o “enquadramento” das falas.

  Em muitos quadrinhos percebe-se que as falas extrapolam os limites do quadrinho, o que deixa a página bem… Feia (principalmente saint seiya the lost canvas gaiden 5 jbcquando são aqueles quadros redondos e “espinhados” de pensamento). Em alguns casos dá pra ver que realmente não tinha jeito, mas em outros vê-se que diminuindo pouca coisa da fonte ou jogando as falas mais para a direita/esquerda o problema seria solucionado. Então, caso alguém da editora esteja lendo, fica aí minha crítica construtiva (sim, elas existem.

  Ao preço de R$12,90 (valor que eu julgo salgado para um mangá que não tem páginas coloridas), Saint Seiya – The Lost Gaiden 5 é recomendado para amantes de quadrinhos em geral e provavelmente ainda está nas bancas, então, se o texto te fez ficar interessado, corre que ainda dá tempo de comprar.

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Um pensamento sobre “The Lost Canvas Gaiden nº5 e o melhor “conto” até agora

  1. Eu só tenho os 2 primeiros vols q comprei no evento q teve na minha cidade, mes q vem deve começar a vir a 3, mas to pensando em comprar na comix, pq os manga chegam muito danificados :/

    Desses dois primeiros vols q li, gostei mais do albafica, q é um cavaleiro de peixe melhor q do classico, e foi bem terminado 🙂

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